Recall da Takata pode chegar a 120 milhões de veículos

O maior recall da história não mostra nenhuma pretensão de sossegar. Nossa estimativa anterior de veículos afetados era de 53 milhões de unidades, mas as coisas ficaram muito piores. A Reuters informa que, além dos 29 milhões veículos já convocados para conserto no mundo, autoridades americanas de segurança automotiva podem exigir correções em mais automóveis: de 70 milhões a 90 milhões de automóveis equipados com airbags de Takata. Realmente não sabemos como qualquer empresa é capaz de sobreviver a uma campanha tão grande de recall. Nem como eles permitiram que as coisas chegassem a este ponto.

A Takata forneceu airbags defeituosos para BMW, FCA (Fiat-Chrysler), Ford, General Motors, Honda, Mazda, Mitsubishi, Nissan, Subaru, Volkswagen e Toyota. O principal efeito do defeito são airbags que atiram estilhaços de metal quando deflagrados. Quase como balas nos passageiros que deveriam proteger. Pelo menos 10 pessoas foram mortas por esses projéteis mortais, com mais de 100 pessoas feridas por eles. Até agora.

As fabricantes contrataram a Orbital ATK para examinar os airbags defeituosos e existem pelo menos 4 causas principais para o problema: nitrato de amônio, absorção de umidade, altas temperaturas e montagem mal feita dos deflagradores. A Takata usa nitrato de amônio para causar a abertura dos airbags, mas a susbtância tende a absorver água do ar úmido. E a Takata não usou qualquer tipo de dessecante para mantê-la seca. Quando úmido, o nitrato de amônio pode explodir em altas temperaturas, o que explica por que a maioria dos acidentes aconteceram em regiões de clima quente. Além disso, os deflagradores foram mal montados, o que deixou o nitrato de amônio mais exposto ao ar úmido.

O problema pode ser ainda maior, tendo em conta os outros países que receberam os airbags defeituosos de Takata, mas que não investigam o perigo. Principalmente os países em desenvolvimento que não desenvolveram um senso de proteção a seus cidadãos. Afinal, o trânsito mata muitos todos os anos, mas é muito mais fácil culpar os motoristas. Isso não requer nenhuma investigação.

Gustavo Henrique Ruffo

I have been an automotive journalist since 1998 and have worked for many important Brazilian newspapers and magazines, such as the local edition of Car and Driver and Quatro Rodas, Brazilian's biggest car magazine. I have also worked for foreign websites, such as World Car Fans and won a few journalism prizes, among them three SAE Journalism Awards and the 2017 IAM RoadSmart Safety Award. I am the author of "The Traffic Cholesterol", a book about bad drivers that you can buy at Hotmart, Google Play, Amazon and Kobo.