O novo Mercedes-Benz Classe E é uma matrioska do Classe C. Mas totalmente autônoma!

Muitos, inclusive nós mesmos, já expressaram preocupação sobre o quão semelhantes os sedãs Mercedes-Benz estão ficando. O Classe C era visto como um Classe S em escala reduzida e agora a nova geração do Classe E parece um Classe C superdesenvolvido. A plataforma dos dois já é a mesma, a MRA. A Autocar inclusive publicou essa brilhante análise do que eles chamam de “a estratégia da boneca russa”(em inglês). O fato é que a matrioska do Classe E esconde muitas diferenças importantes em relação a seus irmãos maior e menor. E a mais importante é que ele é considerado pela Mercedes-Benz como o primeiro veículo totalmente autônomo à venda. Confira o vídeo abaixo:

Dieter Zetsche, CEO da Daimler, faz uma afirmação ousada quando diz que o carro é “basicamente totalmente autônomo”, mesmo se somente em estradas e rodovias e com restrições legais para operar. Não temos motivos para duvidar de que o carro realmente pode se guiar em tais condições, especialmente nas chatas longas retas que são mais eficazes que as pílulas para dormir.

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O Clase E W213 tem 4,92 m de comprimento, 1,95 m de largura, 1,47 m de altura e um entre-eixos de 2,94 m. Ele será vendido inicialmente com apenas dois motores, um 2.0 de 4 cilindros turboalimentado a gasolina que gera 135 kW (184 cv) a 5.500 rpm e 300 Nm entre 1.250 rpm e 4.000 rpm, para o E 200, e um novo turbodiesel 2.0 de 4 cilindros para o E 220 d, que entrega 143 kW (250 cv) e 400 Nm.

Num futuro próximo, serão lançadas duas outras versões. A E 350 d contará com um v6 turbodiesel 3.0 que entregará 190 kW (258 cv) e 620 Nm, enquanto a versão híbrida plug-in do carro, chamada E 350 e, terá uma autonomia puramente elétrica de 30 km. O motor térmico do híbrido é o mesmo 2.0 turbo a gasolina usado pelo E 200, mas com mais potência, de 155 kW (211 cv). Nós amaremos checar as especificações técnias completas da versão, quando ela for lançada, uma vez que a maioria dos veículos híbridos usam motores de ciclo Atkinson e geram menos potência em vez de mais. O elétrico fornece adicionais 65 kW (88 kW), levando a oferta total da potência a 210 kW (286 cv), devido a perdas na integração.

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Todos os motores virão com o novo câmbio 9G-Tronic, uma transmissão automática de 9 marchas que tende a substituir o 7G-Tronic atualmente usado por outros modelos da Mercedes-Benz.

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O novo Classe E apresenta um coeficiente de arrasto impressionante de 0.23, uma suspensão a ar multi-câmara chamada AIR BODY CONTROL e o DRIVE PILOT, o modo autônomo a que Zetsche estava se referindo. Ele pode seguir veículos em frente a velocidades de até 210 km/h ou a 130 km/h em uma estrada com linhas inexistentes ou mal pintadas na pista. Ele ajusta automaticamente a velocidade para a máximo permitida por meio da leitura de sinais de trânsito, muda de pista quando o motorista usa a seta por pelo menos dois segundos, depois de detectar que a faixa está desocupada, e pode executar outras tarefas menores. Aparentemente, se a legislação permitir a condução autônoma num futuro próximo, proprietários de um Classe E só terão que liberar os recursos que os vários sensores e softwares já poderiam dar o carro.

No caso de querer ver mais fotos do novo Classe E, dê uma olhada no nosso artigo anterior sobre o assunto.

Gustavo Henrique Ruffo

Sou jornalista automotivo desde 1998 e trabalhei para alguns dos meios, especializados ou não, mais importantes do Brasil, como Folha de S.Paulo, Jornal do Carro, a finada Oficina Mecânica, Gazeta Mercantil, WebMotors, FlatOut, Car and Driver e Quatro Rodas. Também escrevi para meios estrangeiros, como o site World Car Fans, e ganhei alguns prêmios de jornalismo, da SAE, da AEA e o IAM RoadSmart Safety Award 2017, pelo The Guild of Motoring Writers. Também sou autor do livro "O Colesterol do Trânsito", sobre maus motoristas, que pode ser comprado como ebook no Hotmart, na Amazon e como cópia física no Clube de Autores.