Telluride, antes chamado de KCD12, mostra uma Kia nova, grande e quadrada

Quando mostramos o teaser, alguns dias atrás, o Kia KCD12 já prometia ser um substituto do Kia Mohave/Borrego. Agora que ele foi completamente apresentado, no Salão de Detroit, podemos também dizer que ele prenuncia uma linguagem quadrada de design, em consonância com o que outras marcas, como Volvo, Rolls-Royce e Land Rover, já seguem com bastante sucesso.

Telluride é um jogo de palavras, que mistura “Telluric”, ou telúrico, tudo que está relacionado à Terra, a “ride”, ou carro, moto, veículo, passeio… depende do contexto. Neste, “ride” se refere ao SUV. É também o nome de uma cidade no Colorado, mas o trocadilho é mais interessante. A parte da Terra no nome não está apenas relacionada com a capacidade de andar por caminhos sem asfalto, mas também a algo que favorável o ambiente, uma vez que o conceito é um veículo híbrido plug-in. Equipado com um motor de GDI V6 3.5 transversal com ciclo Atkinson, que produz 201 kW (274 cv), e com um motor elétrico capaz de gerar 97 kW (132 cv), o SUV alcança uma economia de combustível de 7,8 l/100 km. Impressionante para um veículo que parece ser uma parede em movimento. É estranho que a Kia diga que a potência total do Telluride seja de 298 kW (406 cv), já que a integração dos dois motores normalmente apresenta algumas perdas. Não há uma palavra sobre autonomia apenas elétrica, algo importante em modelos híbridos plug-in.

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O SUV tem 5 m de comprimento, 2,01 m de largura, 1,80 m de altura e uma distância entre-eixos de 3,08 m. Ele foi construído sobre a plataforma do Sorento, alongada, e usa rodas de cinco raios de 22 polegadas com pneus 275/45 R22 Hankook Ventus ST.

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Com uma distância entre-eixos tão grande, o carro pode oferecer 3 fileiras de assentos, para 7 passageiros. Com há apenas dois assentos na segunda fileira, você pode imaginar que uma versão de produção poderia facilmente oferecer assentos para 8 pessoas.

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Concebido pela Kia Design Center America (KDCA), também apresenta algumas soluções interessantes, tais como as portas traseiras suicidas. Elas e as dianteiras são capazes de abrir em 90º e não há nenhuma coluna B entre elas, o que permite um acesso muito facilitado ao interior.

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Quando sentados, os ocupantes da primeira e segunda fileira de assentos, incluindo o condutor, são analisados com o auxílio de sensores inteligentes, colocados na parte de trás dos bancos. As informações vitais aparecem em telas colocadas no painel das respectivas portas. Uma das condições mais importantes analisadas pelos sensores é dissincronose, popularmente conhecida como jetlag. O carro pode tratá-lo por meio de um sistema Light Emitted Rejuvenation (LER, ou algo como rejuvenescimento emitido por luz). Ele usa LEDs instalados debaixo do teto solar para exibir um padrão de luzes terapêuticas que melhoraria o nível de energia de seus passageiros. Em outras palavras, o Telluride seria o melhor carro para ir de um aeroporto até seu hotel. De preferência um que seja muito longe. A segunda fileira até consegue tornar isso mais confortável. Ela traz bancos que se reclinam até virarem quase uma cama, permitindo tirar uma soneca. Mas vale lembrar que cochilos com cintos de segurança regulares não são uma boa idéia.

Além disso, o Telluride fornece o Swipe Command, uma faixa sensível ao toque, colocada no console central da segunda fileira de bancos, que permite aos passageiros escolher o que tocar no sistema de som Harman Kardon de 7-alto-falantes. Não tenha dúvidas sobre o conceito: ele chegará à produção em massa. Basta tirar dele todas as idéias conceituais, como as portas suicidas, os bancos individuais na segunda fileira e o tratamento anti-jetlag, e o novo SUV estará pronto para chegar às lojas.

Gustavo Henrique Ruffo

Sou jornalista automotivo desde 1998 e trabalhei para alguns dos meios, especializados ou não, mais importantes do Brasil, como Folha de S.Paulo, Jornal do Carro, a finada Oficina Mecânica, Gazeta Mercantil, WebMotors, FlatOut, Car and Driver e Quatro Rodas. Também escrevi para meios estrangeiros, como o site World Car Fans, e ganhei alguns prêmios de jornalismo, da SAE, da AEA e o IAM RoadSmart Safety Award 2017, pelo The Guild of Motoring Writers. Também sou autor do livro "O Colesterol do Trânsito", sobre maus motoristas, que pode ser comprado como ebook no Hotmart, na Amazon e como cópia física no Clube de Autores.