Respeite a faixa rápida. Ou um policial pode te ensinar a fazê-lo

Já escrevi sobre este tema dezenas de vezes, com artigos de ótima leitura, como este no FlatOut. Muitos outros colegas jornalistas também têm feito esse esforço, mas nunca parece ser suficiente. As pessoas só parecem não estar cientes, ou se importar, que a faixa da esquerda é destinadas à ultrapassagem. Fora os países de mão inglesa, com carros com volante à direita, esta é a regra em todos os lugares. Talvez seja melhor nos referirmos a esta faixa como faixa rápida, seja à direita ou à esquerda. O fato é que essas pistas são muito freqüentemente ocupadas com motoristas sem instrução, para dizer o mínimo. Se eles não são ignorantes sobre as leis de trânsito, são simplesmente pessoas muito egoístas, que acreditam que a faixa rápida é exclusividade delas. E é obvio que não é, como a polícia de Michigan está tentando, antes de mais nada, explicar, como você será capaz de ver no vídeo abaixo (só em inglês):

A MSP (Michigan State Police, ou polícia estadual de Michigan) chamou esta operação de “Southpaw”, uma forma, em inglês, de nomear o Colesterol do Trânsito que entope a pista da esquerda. O tranca-rua. O 1º Tenente Chris McIntire explica que o foco é ensinar aos motoristas que estiverem ali empatando a vida quando é legal (do ponto de vista da lei) usar a faixa rápida e quando não é. Em outras palavras, a MSP está dando a esses motoristas o benefício da dúvida para que eles possam aprender e cair para a direita se quiserem dirigir abaixo da velocidade máxima. No caso de eles serem pegos novamente na faixa rápida, com certeza serão multados, o que fará a “Operação Southpaw” também distribuir alguns pontos na carteira. Porque travar a faixa rápida é contra a lei. Não só em Michigan, mas na maioria dos países.

E por que é assim? Simples: porque a faixa rápida é destinada a deixar os outros carros passarem. É o lugar mais seguro para ultrapassagens, já que fica do mesmo lado em que o motorista está. E os motoristas tendem a verificar o retrovisor em seus lados mais freqüentemente do que verificam o retrovisor no lado do passageiro. Em alguns países ele nem tem retrovisor do lado do passageiro, devido à redução de custos e às vidas de segunda classe, como já denunciamos por aqui. A não ser, é claro, que você esteja dirigindo um McLaren F1 ou qualquer outro carro tão raro e único quanto ele, com sua posição de dirigir central.

Com isso em mente, quando alguém invade a faixa rápida e tenta tomar posse dela, os acidentes são mais propensos a acontecer. Não só devido à verificação do retrovisor, mas também devido ao fenômeno conhecido como “fúria sobre rodas”, ou road rage, e a tentar passar outros carros usando as pistas mais lentas. No primeiro caso, o motorista querendo ultrapassar pode causar graves acidentes ao tentar forçar o caminho, como o do vídeo abaixo, que se tornou bastante conhecido em todo o mundo. O cara do Camaro forçou a ultrapassagem sobre o caminhão, que o segurava de propósito, e o resto é história.

No segundo caso, ultrapassar pela faixa lenta pode causar uma vasta gama de acidentes, principalmente devido a má visão do que está acontecendo à frente. No vídeo abaixo, a pista lenta era a da direita.

Faixa da direita novamente. E, neste caso, uma motocicleta atinge um carro que estava estacionado. Poderia ter sido muito mais grave.

Finalmente, você pode ser esmagado ao ultrapassar pela faixa lenta. Ou seu carro poderia ser esmagado no seu lugar, o que lhe dará a chance de nunca repetir o mesmo erro outra vez, mesmo que você tenha aprendido da maneira mais difícil. Tem gente que nunca aprende…

Se você prestou a devida atenção a todos estes acidentes, você deve ter visto o que eles têm em comum: velocidade inadequada na faixa lenta e também falta de visibilidade. Este último é o fator mais importante. Os acidentes aconteceram porque as pessoas não viram o que estava prestes a acontecer. E não viram porque estavam tentando passar no pior lugar possível.

Enquanto alguns podem pensar que estão sendo heróicos ao impedir que outros motoristas ultrapassem o limite de velocidade, os famosos fiscais de faixa, eles deveriam colocar suas consciências para trabalhar e refletir sobre os enormes problemas que podem causar. Eles podem estar impedindo alguém de ser resgatado ou de receber cuidados médicos. Eles podem estar prestes a provocar acidentes mortais. Podem ser também apenas uns grandessíssimos imbecis. E todas essas possibilidades devem ser evitadas, não importa o quanto podem ser prejudiciais ou não.

Michigan tem sorte de ter uma polícia que está preocupada com o fluxo de tráfego e com a segurança em vez de apenas tentar ganhar dinheiro por multar as pessoas. Você pode ter a sorte de ter uma força policial semelhante a seu serviço, onde quer que você more. Mas, no caso de não ter, o que é o mais provável, seria isso uma desculpa para ser um empata-esquerda? Tenha isso em mente e deixe livre a faixa rápida. Vamos escrever sobre isso tanto quanto for necessário, incansavelmente, para que todos nós tenhamos um tráfego menos letal em todo o mundo. Por favor, seja nosso parceiro nesta missão.

Gustavo Henrique Ruffo

Sou jornalista automotivo desde 1998 e trabalhei para alguns dos meios, especializados ou não, mais importantes do Brasil, como Folha de S.Paulo, Jornal do Carro, a finada Oficina Mecânica, Gazeta Mercantil, WebMotors, FlatOut, Car and Driver e Quatro Rodas. Também escrevi para meios estrangeiros, como o site World Car Fans, e ganhei alguns prêmios de jornalismo, da SAE, da AEA e o IAM RoadSmart Safety Award 2017, pelo The Guild of Motoring Writers. Também sou autor do livro "O Colesterol do Trânsito", sobre maus motoristas, que pode ser comprado como ebook no Hotmart, na Amazon e como cópia física no Clube de Autores.