Nissan descobre que Mitsubishi estava fraudando testes de consumo no Japão

Os fabricantes de automóveis japoneses fazem engenharia de emblema em profusão. Se um deles tem um carro que pode ser interessante para o outro, basta mudar os emblemas e vendê-los como se o outro o estivesse construindo. Este é o caso do Mitsubishi eK Wagon. A Nissan o vende como um carro chamado Dayz. E estava tudo bem até Nissan descobrir que o consumo de combustível da eK Wagon não era tão bom quanto a Mitsubishi disse que era. Consequentemente, a economia de combustível do Nissan Dayz também estava errada. Foi quando Mitsubishi confessou que estava fraudando os testes de economia de combustível deste carro.

Mitsubishi-EK-Wagon

A Mitsubishi disse 625.000 veículos apresentam o problema. Curiosamente, a maioria deles foi vendida pela Nissan: 468.000 Dayz e Dayz Roox e 157.000 eK Wagon e eK Space desde que eles foram postos à venda, em junho de 2013. As empresas agora discutem compensações que a Mitsubishi terá de oferecer à Nissan, devido aos problemas apresentados pelos veículos, e o Japão agora está conduzindo investigações sobre outros modelos que a Mitsubishi produz. A empresa admitiu que outros carros estão envolvidos no problema, mas não disse quais. A venda e a produção destes 4 modelos foi interrompida.

A fraude consistia em medir quanto os carros perdiam velocidade por segundo em vez do tempo que levavam para diminuí-la em 10 km/h, como exigem as leis japonesas. O equipamento para medir a resistência ao rolamento do carro também foi manipulado, usando um sistema de teste diferente do que estipulam as normas japonesas. A empresa foi instada a apresentar um relatório completo sobre os testes de consumo de combustível dentro de uma semana. O Ministério dos Transportes do Japão prometeu responder a este futuro relatório em 18 de maio. Espere uma multa bem pesada, bem como outras punições. As ações da Mitsubishi caíram 15% após o anúncio, a maior queda de preço de ações em um único dia em 12 anos no Japão, segundo a Reuters.

Gustavo Henrique Ruffo

Sou jornalista automotivo desde 1998 e trabalhei para alguns dos meios, especializados ou não, mais importantes do Brasil, como Folha de S.Paulo, Jornal do Carro, a finada Oficina Mecânica, Gazeta Mercantil, WebMotors, FlatOut, Car and Driver e Quatro Rodas. Também escrevi para meios estrangeiros, como o site World Car Fans, e ganhei alguns prêmios de jornalismo, da SAE, da AEA e o IAM RoadSmart Safety Award 2017, pelo The Guild of Motoring Writers. Também sou autor do livro "O Colesterol do Trânsito", sobre maus motoristas, que pode ser comprado como ebook no Hotmart, na Amazon e como cópia física no Clube de Autores.

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