Suzuki também confessa que executou testes de consumo de combustível de forma errada no Japão

A Mitsubishi parece ter aberto uma comporta de sinceridade no Japão. Depois que ela confessou que fraudou testes de consumo de combustível no Japão e foi comprada pela Nissan, a Suzuki também decidiu dizer às autoridades japonesas que executou seus testes de modo inadequado. Mas, ao contrário do que fez a Mitsubishi, a Suzuki espontaneamente decidiu divulgar a história. E também disse não ter fraudado os resultados, mas sim os ter realizado de forma diferente da estabelecida em lei devido a questões técnicas.

Suzuki jimny

A primeira seria a localização de seu campo de provas, em Sagara. Ele fica no topo de uma colina, em uma região de ventos fortes, o que impactaria negativamente os testes. Então, em vez dos testes sem aceleração a velocidade constante, a Suzuki preferiu calcular os números com dados de testes em túnel de vento e informações sobre o comportamento dos componentes individuais durante testes de resistência ao rolamento. De acordo com a Suzuki, os números seriam muito próximos dos que o teste sem aceleração daria, mas a empresa achou que seria uma boa ideia informar o governo japonês sobre esta “peculiaridade” de seus dados.

Suzuki swift-esporte

Como os resultados não teriam sido modificados, não é muito provável que a Suzuki vá enfrentar as mesmas consequências que a Mitsubishi. A empresa diz que 16 de seus modelos foram afetados, e só no Japão: Alto, Alto Lapin, Baleno, Carry, Escudo 2.4, Escudo, Every, Ignis, Hustler, Jimny, Jimny Sierra, Solio, Spacia, Swift, SX4 S-Cross e Wagon R. Mesmo com implicações menores, as ações da Suzuki caíram 11%. Seria a ocasião perfeita para a Volkswagen tentar uma aquisição hostil da empresa se a gigante alemã não estivesse tão ocupada cuidando de seu próprio escândalo de emissões, o Dieselgate.

Gustavo Henrique Ruffo

Sou jornalista automotivo desde 1998 e trabalhei para alguns dos meios, especializados ou não, mais importantes do Brasil, como Folha de S.Paulo, Jornal do Carro, a finada Oficina Mecânica, Gazeta Mercantil, WebMotors, FlatOut, Car and Driver e Quatro Rodas. Também escrevi para meios estrangeiros, como o site World Car Fans, e ganhei alguns prêmios de jornalismo, da SAE, da AEA e o IAM RoadSmart Safety Award 2017, pelo The Guild of Motoring Writers. Também sou autor do livro "O Colesterol do Trânsito", sobre maus motoristas, que pode ser comprado como ebook no Hotmart, na Amazon e como cópia física no Clube de Autores.

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